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8 de setembro de 2010

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25 anos de Comunidade

"No último dia 4 de fevereiro, o Pe. Itamar da Paróquia São Domingos completou 25 anos de paroquiato junto à referida paróquia na cidade de Americana. Na noite de hoje, acontece uma celebração eucarística e um jantar comunitário. Por acaso, ele me solicitou que preparasse a homília da missa. Pensei em escrevê-la e deixá-la registrada no blog como forma de partilha e de homenagem ao amigo.

Os textos bíblicos propostos pela liturgia diária são preciosos. Tem uma riqueza e uma luz intensa que perpassa nossa prática cristã e devem nos guiar em meio às coisas que passam, a fim de abraçarmos aquelas que não passam.

O Evangelho de Marcos se apresenta para nós como um relato dramático e incisivo sobre a perturbação que a presença de Jesus e de seus seguidores podem criar nas autoridades e nas pessoas de um modo geral, que se encastelam na segurança de serm aceitos não pelos valores com os quais vivem suas vidas, mas pela força do cargo ou da função que exercem.

O que causa maior espanto e dificuldade de entender o grande acontecimento da pregação de Jesus é justamente o fato de que Ele próprio, Herodes, havia determinado o martírio de João Batista. Dizia, meio assombrado: “João, que eu mandei decaptar, foi ressuscitado”.

Importante que Marcos ao relatar esse acontecimento, lega-nos um testemunho fundamental da pesssoa de Jesus, da sua palavra dita e causadora de tanta estranheza, da prática conturbadora, pois incomoda todo poder e toda vida estabelecida no velho homem.

Mas também. O evengelista cria uma ponte entre essa nova prática trazida pelo Mestre e a prática experienciada pelos discípulos (aqui entendido no seu mais amplo e radical). João é relembrado porque também ele tinha uma prática que incomodava e que tinha a força de uma Palavra que não deixava as coisas se perderem, mas proclamava a presença de Deus e seu Reino.

Nessa perspectiva, a carta aos Hebreus retoma a mesma preocupação, apresentando-nos alguns conselhos da prática de bem viver. Sua preocupação, está em dizer que, nosso melhor testemunho, se encerra na prática do bem viver. Sua preocupação está em dizer que, nosso melhor testemunho, se encerra na prática do amor fraterno, da celebração da fé comum, no atendimento às necessidades daquele que sofre, no cuidado com o matrimônio e a família, na escolha de valores que fundamentem não só o nosso lado da rua, mas que queira sempre o bem comum.

E para terminar, faz questão de sintetizar toda a esperança e catequese cristãs: Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre... Do qual bebemos, nos fortalecemos e com ele devemos nos comprometer...

Talvez agora, eu possa tentar tratar da intenção primeira que estamos a celebrar nesta eucaristia. Pe. Itamar, já são 25 anos que você está aqui na comunidade São Domingos. Falar disso tem lá seus limites pois, para aqueles que o conhecem tal intento torna-se desnecessário, afinal já sabem das suas qualidades, da sua prática e também e porque não, também dos seus defeitos. Já para aqueles que não conhecem ou não gostam de você, esse esforço pode parecer autoincensação.

E eu, que o conheço um pouco, sei muito bem que você gostaria de evitar esses dois limítrofes... Portanto, minha tarefa não é das mais fáceis, ainda que seja muitíssima agradável.

Em primeiro lugar, chamo o texto de Marcos para lembrar-lhe que o seguimento àquele que nos reuniu é sem dúvida uma proposta que traz consequências e, se pretende ser fiel, leva-nos a experiementar rejeições e incompreensões.

Mas poderia ser o discípulo maior que o Senhor a ponto de executar a tarefa de pastor sem passar pelas contradições do pastoreio? Bem o sabemos que não...

Depois, valho-me da imagem do evengelista que relata o martirio de João como sendo o centro do banquete de morte: sua cabeça, com traços bem dramáticos, é servida numa bandeja... e somos nós, ministros do senhor, atores do banquete de vida que se faz e refaz em cada mesa eucaristica. Nela, nunca devemos servir ou pedir a cabeça de ninguém, entendo aqui, nossa postura de acolhida e rspeito a cada um e cada uma que se aproximar nós querendo na verdade, aproximar-se do Senhor.

Ainda, quero com a carta aos Hebreus, sinalizar alguns traços que eu e muitos enxergamos na sua prática do amor cristão: sua sinceridade no falar, sua disponibilidade em acolher, seu cuidado em atender a uma necessidade, sua postura critica diante de aconteceimentos, sua facilidade em congregar pesoas ao redor de projetos...

Meu caro, esses 25 anos de paroquiato aqui em Americana, tem muito o que ser comemorado e celebrado. Seus amigos, seus paroquianos, muitos dos orgãos de imprensa e dos diferentes poderes, todos reconhecem essa dádiva que ora estamos transformando em ação de graças.

Mas penso que mais do que tudo, esse tempo tem que ser revisitado, como aquele que busca entre no seu tesouro, coisas novas e velhas...

As velhas, torná-las marcas do passado do qual nem mudar, nem se envergonhar se deve...

As novas, oferce-las como oferenda para confornar o seu agir ao agir do Mestre Senhor.

Meus sinceros parabéns e minha gratidão por tudo que nossa amizade representa...

Fique bem!"

Pe. Antonio Luis Fernandes


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