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Eis que estamos nos aproximando do Tempo do Advento, tempo oportuno para que todos nós cristãos e cristãs, nos preparemos para a grandiosa festa do Natal do Senhor. Celebrar o nascimento do menino Deus, é celebrar a esperança, a alegria e principalmente a vida. Como disse o Papa São Leão Magno (século V), em um de seus sermões de Natal: “Amados filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida; uma vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade”.
Imbuídos de alegria esperança, vamos celebrar a fidelidade e o profundo amor que Deus tem para com a humanidade. Sendo fiel às suas promessas, Deus-Pai-todo-misericordioso, enviou seu Filho ao mundo, e Jesus adentrou a nossa história, sendo eterno, fez-Se carne e assumiu a nossa pequenez e finitude humana. A encarnação de Jesus, do Filho de Deus foi o maior acontecimento da história. Todos aguardavam a vinda do Messias-Rei, seu nascimento, no entanto, nos evidencia, qual seria seu modo de reinar. Seu castelo foi o estábulo, seu trono a manjedoura, sua corte e seus súditos foram os humildes e os pastores, ou seja, os excluídos da época, como a maioria do nosso povo sofrido ainda o é hoje.
“Deus tanto amou o mundo, que entregou o seu Filho” (Jo 3,16). Sim, tomado de amor, Deus nos dá o seu filho de presente, no entanto, ao nascer, o Filho de Deus não é acolhido em nenhuma hospedaria: “Envolveu-o em panos e o deitou numa manjedoura, pois não havia encontrado lugar na pousada” (Lc 2,7). É por isso que somos profundamente interpelados durante o tempo do advento para nos prepararmos bem para o Natal.
Como nossas comunidades paroquiais estão se preparando? Não podemos fazer do Natal do Senhor um simples e frio ritual celebrativo é necessário que seja, de fato, a celebração da vida! A vitória da vida sobre muitos projetos criados pela sociedade que tem por objetivo, gerar a morte. Exemplo disso temos tido a oportunidade de presenciar em campanhas publicitárias milionárias a favor da legalização do aborto, atentado à vida humana e, também o esfacelamento das famílias de tantas maneiras. E nossas famílias, como estão aguardando a chegada do menino Deus? Eis que Jesus bate à nossa porta. Estamos realmente dispostos a recebê-lo? Que esta questão não seja para nos constranger, mas para nos fazer refletir. Jesus deseja nascer e fazer morada em nossos lares, no seio de nossas famílias.
O Papa Paulo VI, disse certa vez, ser necessário fazer de nossas famílias verdadeiras “Igrejas domésticas”. Seus sucessores, reconhecendo a veracidade e importância de tal afirmação, a reafirmaram em seus documentos e exortações. Fazer de nossas famílias Igrejas domésticas! Este é, com certeza, um grande desafio, sobretudo, porque isto requer de nós batizados (as), testemunho de vida e da fé que recebemos de nossos pais e padrinhos.
Dar testemunho desta fé é exercer, ainda que timidamente, nossa vocação profética: denunciar a injustiça, fruto de nossa sociedade neoliberal, profundamente marcada pelo capitalismo e pelo consumismo, que definem e reconhecem o ser humano pelo quanto e apenas pelo que ele pode consumir; e anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo que nos trouxe um Reino de Paz, Amor, Vida e Justiça!
Queremos, então, que Jesus nasça em nossos lares, e em todos os lares do mundo, mas primordialmente em nossos corações, porque como diz o Papa Leão Magno em seu sermão de Natal já mencionado: “Ninguém está excluído da participação nesta felicidade. A causa de alegria é comum a todos, porque nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio libertar a todos. Exulte o justo, porque se aproxima da vitória; rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida”. Sendo assim, percebemos que este período até o nascimento do menino Deus deve ser vivido com bastante intensidade. Trata-se de um tempo oportuno para que cresçamos e amadureçamos a nossa espiritualidade, que deve estar voltada, assim como o Evangelho, para os pequeninos, para aqueles que assim como no tempo de Jesus, hoje se encontram à margem da sociedade. Façamos de nossas vozes um coro que exclame em alta voz aquilo que o salmista entoa na noite do Natal: “Hoje nasceu para nós o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Sl 96); e que entendamos aquilo que os anjos cantam jubilosos no nascimento do Senhor: “Glória a Deus nas alturas, e Paz na Terra aos homens de boa vontade” (Lc 2,14); para que façamos de nosso mundo a Jerusalém celeste, o Reino de amor, habitado por homens e mulheres que tenham por objetivo, como nos pede a V Conferência do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, ser verdadeiros Discípulos e Missionários de Jesus Cristos. Em todos os Natais confirmamos que Deus está presente em nossas vidas, sempre que nos reunimos para comemorar o aniversário de Jesus. Renovemos nossa fé e podemos ver que o amor é o caminho para que haja PAZ em todo o mundo. Um Feliz e Santo Natal e um Feliz 2008 a todos vocês e suas famílias. Dom Vilson Dias de Oliveira, DC Bispo Diocesano de Limeira, SP
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