Início Paróquia São Domingos

Americana | SP | (19) 3461.2865
5 de setembro de 2010

Grupo de Namorados
2° Encontro - Grupo de Namorados

A química do amor e da paixão
(de Débora Schmitt graduada e especialista em Química e mestranda em Docência Universitária, Carlos Barbosa, RS, endereço eletrônico: química_debora@hotmail.com )

Uma avalanche de emoções é despertada pelo interesse em alguém. Somadas à insegurança, à inexperiência e às mudanças físicas, pode levar a situações positivas, à solidariedade, à busca de soluções pacíficas, ao bem-estar, à propensão a fazer amigos, à melhoria da qualidade de vida e ao autoconhecimento. Por outro lado, também podem fazer frustrações, estresse e descontrole psíquico.

Paixão que vicia - O amor pode ser comparado, segundo a doutora Donatella Marazziti, da universidade de Pisa (Itália), a um estado de psicose compulsivo-obsessiva. Ou seja, há uma diminuição das taxas do neurotransmissor serotonina, uma molécula envolvida na comunicação entre as células cerebrais, participando com frequência em várias funções do sistema nervoso, como controle do sono, do apetite, do ritmo cardíaco, da atividade motora, das funções cognitivas, da atividade motora, das funções cognitivas e do humor. Fica claro por que as oscilações de temperamento em apaixonados são tão habituais. Outro aspecto a ser observado é de que o álcool também baixa as taxas de serotonina. Por isso não é incomum a ilusão de alguém que se apaixona à primeira vista em uma festa ou no bar.

A norepinefrina, a dopamina e a feniletilamina também são substâncias que possuem a função de criar vínculos de afeto, desejo, atração, ou seja, o mecanismo biológico do amor. As endorfinas, hormônios que se originam das palavras endo (interno) e morfina (analgésico), despertados durante a paixão, proporcionam uma sensação de bem-estar e euforia, aumentam a disposição física e mental e até chegam a aliviar dores.

Os hormônios também são culpados pela duração da paixão: nos primeiros momentos, há uma produção abundante da proteína neurotrofina, que provoca o desejo, a euforia e a dependência. No entanto, com o passar do tempo (mais ou menos 24 meses depois, segundo pesquisas da Universidade de Pisa, esse componente químico do cérebro dá lugar a duas outras substâncias: a oxitocina, proteína produzida no hipotálamo, responsável pela sensação de prazer, bem-estar e tranquilidade, e a vasopressina, proteína conhecida como hormônio da fidelidade. Nesse momento do relacionamento, o casal opta pela estabilidade e serenidade do amor maduro.

Condição humana - Quimicamente, as drogas produzidas pelo organismo duram o tempo necessário para gerar e proteger o filho, isto é, servem simplesmente para a procriação. Mas o amor é condição humana e vai além, vencendo os limites da Química e da Biologia. Talvez a solução e separações, que ocorrem nos relacionamentos, nas famílias, na escola e na sociedade em geral, decorram do fato de que o ser humano, animal sábio e racional, ainda não aprendeu a administrar seus impulsos e emoções com inteligência. Ou seria necessário criar, no futuro, uma pílula de neurotrofina?

No cotidiano de sala de aula percebe-se que a emoção não se caracteriza apenas como um estado de espírito que produz satisfação, contentamento, prazer, mas como uma mobilização cognitiva que pode produzir fúria, rebeldia, sentimento de exclusão e descontentamento. São sob esses estados emocionais que o ser humano constrói suas teorias e interpretações; daí a importância e a necessidade de o educador transformar todas essas sensações em ferramentas do conhecimento.

Educadores deparam-se muitas vezes com jovens confusos, inseguros, ansiosos e até repreendidos, sintomas desse fluxo de substância que invadem o organismo. Um ambiente de diálogo, que desperte o sentimento de aceitação do corpo e da sexualidade, da sociabilidade, proporciona a busca da expansão do intelecto. Viver a química do amor é viver de forma inteligente.

Questões para conversa entre os grupos:

1. Como podemos aproveitar a ação estimulante da paixão para situações positivas?

2. Sabendo que algumas substâncias químicas alteram nosso entendimento sobre as coisas, é possível agirmos de maneira mais racional e menos impulsiva?

3. Em sua opinião, as pessoas viveriam melhores se vendessem pílulas com a "fórmula do amor"? Por quê?

março / 2010


VOLTAR | IMPRIMIR
© 2008 | Paróquia São Domingos | Diocese de Limeira