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5 de setembro de 2010

8/12/2009 18:46:06 Últimas Notícias

Painel do Cristo Ressuscitado agrada e comove na Igreja de São Domingos

A Igreja de São Domingos tem uma das arquiteturas mais bonitas e arrojadas que conheço. Nela, tudo tenta criar um toque do Divino na vida e na existência humana. Nela, sentimo-nos de fato envolvidos por um olhar que, diferentemente de outros tempos, não julga nem invade. Apenas convida e acolhe...

Foi pensando em tudo isso que aceitei o convite, juntamente com a artista plástica Lea Martins, para ajudar a criar um verbo que viabilizasse essa presença de Deus naquele espaço sagrado.

Da minha parte, ao menos, sem qualquer pretensão, a não ser a de ler aquilo que minha alma pressentia ao entrar naquele sagrado templo e dar vazão aos sentidos, atribuindo-lhes verbo, palavra, carne...

Começando pela Capela do Santíssimo, fizemos um centro cordial (do coração) que permite ao fiel que chega para suas orações entrar no lugar onde a matéria transcende e revela o indizível e o mais além...

Nela, quem chega olha fragmentos dessa presença bendita que se dispõe a olhar, tocar, ouvir, adorar, querer que o Senhor fique conosco, assim como aconteceu com os jovens meninos que iam a Emaús, desamparados pela perda do Grande Amigo. Quando sentem o coração arder, pedem incessantemente que permaneça, pois a cor da vida e da fé retorna ao coração.

No Batismo, criamos uma comunicação da Graça que se derrama e purifica na vida tão gasta e mal tratada. Com ele, somos marcados como membros do Corpo de Cristo que, na visão teológica de São Paulo, se revela como o Crucificado. A Pia Batismal fica posta, portanto, num dos braços da cruz, como se lembrasse aos que chegam para o Batismo, mas também a todos os que já foram lavados, que somente nessa intimidade de entrega e encontro, somos, de fato, introduzidos no mistério da fé.

No presbitério, sempre me encantou a riqueza de cores e luzes que essa igreja apresenta a quem chega. Nada fica escurecido quando entramos no coração da morada de Deus. E luz, que reflete a magnitude da criação e a profundidade da chama Dele em nós...

Precisava materializar o intento de entrada num outro plano, numa nova dimensão. Pensamos, assim, numa janela que, fechada, refletisse as nuances dos sonhos e desejos mais humanos e mais profundos. Aberta, apresentasse um Deus que não se sente chamado ao fechamento, ao isolamento, ao túmulo.

Vem, com sinais concretos de vida que se transforma e se refaz e se apresenta como sinal de salvação, marca primeira e última de todo o plano de Deus: Salvar como quem reintroduz o já criado e o já vivido, na dimensão primeira e original da vida que se oferece e se dá como manifestação do maior e melhor...

A janela que ora se abre durante a celebração eucarística é essa manifestação reveladora de que não fomos esquecidos nem abandonados. Nosso Deus não desistiu de nós, nem deixou de se abrir em nossa direção seu maior dom, Jesus Cristo, vida do mundo, Palavra que anima e fortalece, salvador que não perde qualquer um daqueles que lhes foram dados...

Na busca desse abrir sempre essa janela do amor que se derrama, desejamos aos paroquianos, bem como ao pároco de São Domingos, que dali do coração da vida sacramental da Igreja, nasçam mais e mais ações que continuem a abrir também os seus corações como continuidade da missa celebrada e da missão assumida.

Em Cristo, esse que se dá como alimento e alegria do mundo, meus sentimentos de olhar e gratidão por terem me permitido palavrear o amor que se faz templo.

Pe. Antonio Luis Fernandes - Pároco da Paróquia


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